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Saiu na Infomoto da UOL

Francisco Landi (à esquerda) e Eduardo Ralisch ao lado da BMW R51 de Ralisch
“Eu nasci em fevereiro de 1961, na Alemanha e fui para o Paraguai em setembro do mesmo ano. Cruzei a Ponte da Amizade algum tempo depois e vim parar no Brasil, onde morei em Belo Horizonte (MG) e hoje vivo na garagem do engenheiro Francisco Landi, em São Paulo”. Se pudesse falar, essas seriam provavelmente as palavras da BMW R27, monocilíndrica de 247 cm³, que encontrei no último domingo, 3 de fevereiro, no Páteo do Marazzi, encontro de motos e carros antigos que reuniu aficionados no arborizado “quintal” do Convento Salesiano, em São Paulo (SP).
Já que a moto não fala, fui saber com Landi, dono de outras cinco motos da marca, como os dois “se conheceram” e ele me contou que tudo começou com uma viagem que ele fez com sua esposa à região de Visconde de Mauá (RJ). “No lugar tinha um espaço, um galpão, com várias motos e pendurada no teto estava uma R27”, conta o engenheiro de 52 anos, reiterando que o único obstáculo para comprar aquela moto foi a falta de documentação. “O dono havia comprado de uma viúva nos anos 70 e tudo que ele tinha era um papel assinado por ela, dizendo que a moto agora era dele”.
A R27 tem motor de 247 cm³ capaz de gerar 18 cv de potência máxima
Entretanto, Francisco Landi não estava disposto a desistir de ter sua R27. “Comecei a perguntar pra todo mundo sobre ela, até que um dia uma pessoa me ligou dizendo que tinha uma R27”. Depois de comprá-la, começou o trabalho de restauração, realizado pelo próprio Landi. “Troquei escapamento, o aro da roda que estava enferrujado e refiz o chicote elétrico”, descreve o engenheiro, contando também, como obteve mais detalhes sobre a moto que comprara. “Acabei entrando em contato com um suíço que tinha alguns arquivos da BMW. Foi então que descobri que ela foi produzida em fevereiro de 61 e despachada para o Paraguai em setembro do mesmo ano. Tem um histórico dela dizendo que ela também esteve em BH”, conta.
A outra BMW e o outro engenheiro
A procura de Francisco Landi pela “R27 perdida” acabou colocando outra moto na vida do engenheiro. “Na minha busca por ela, encontrei uma R60, também da década de 1960, em uma oficina. O dono havia caído, estava amassada e eu comprei assim mesmo”, comenta. Com motor boxer de dois cilindros e 600cc, a moto acabou sendo parceira de Landi em uma aventura pela estrada, quando levou o engenheiro – e o trouxe de volta, diga-se de passagem – até Foz do Iguaçu para participar do BMW Motorrad Days no ano passado.
Produzida em 1951, a R51, tem o tradicional motor boxer de dois cilindros de 500cc da marca bávara
Do lado deles, estavam outro engenheiro e outra BMW clássica. Era o amigo de Francisco, Eduardo Ralisch e sua R51. A moto, que foi produzida em 1951 e conta com o tradicional motor boxer de dois cilindros de 500 cc da marca bávara, também tem história para contar. “Essa moto era de um mecânico amigo nosso, o Bernardo. Ele restaurou para a esposa dele, mas ela acabou não pilotando muito porque é um pouco pesada para colocar no cavalete. A moto ficava na sala. Mais tarde ele quis vender, mas eu acabei não comprando na época”, explica o engenheiro de 59 anos, ao lado da moto que também estava exposta no Páteo do Marazzi.
Ralisch e sua BMW R51 no Páteo do Marazzi 
Mas, aquela R51 estava decidida a ir para a garagem de Eduardo Ralisch. “Vi um anúncio de uma R51 e, quando fui buscar a moto, vi que se tratava da mesma e a pessoa que me vendeu tinha sido a mesma que comprou do Bernardo”, comenta. As histórias dos dois engenheiros com suas BMWs me chamaram a atenção por um detalhe: a paixão por andar de moto. Em um mundo de colecionadores de modelos clássicos, onde frases como “essa moto não sai de casa” são comuns, encontrar quem esteja disposto a abrir mão de deixar a moto visualmente impecável, na famosa “show condition”, para rodar e aproveitar o prazer que pilotar uma moto dessas oferece, é realmente digno de nota, ou como resume Francisco Landi, “Deixa para olhar quando não der mais para andar”. (texto e fotos: Carlos Bazela)

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